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Por que Praga é uma cidade inesquecível

Se eu tivesse que escolher uma das cidades que visitei para morar (tudo bem que não foram tantas assim), com certeza eu teria muito trabalho em escolher entre Barcelona e Praga. Em nenhum lugar do mundo me senti tão feliz e à vontade. Mas, enquanto eu não posso optar por nenhuma das duas para viver, vou contar um pouco da minha experiência como turista na capital da República Tcheca e mostrar por que fiquei tão encantada (se é que dá pra explicar).

Confesso que cheguei na cidade depois da visita a Kutna Hora com expectativas altas: um pouco antes da nossa viagem, eu tinha lido Malá Strana: Vestígios de Praga, do escritor praguense Jan Neruda, que relata a vida da pequena burguesia da cidade, principalmente no bairro Malá Strana, no final do século XIX. As histórias me fizeram mergulhar nas ruelas tortuosas da cidade, que eu estava morrendo de vontade de conhecer.

Além disso, a República Tcheca tem uma história de resistência cultural que me fascina: dominados durante muito tempo pelos austro-húngaros, artistas e intelectuais tchecos sempre lutaram para manter sua cultura e sua língua vivas dentro dessa dominação. E conseguiram. Isso tudo e o simples fato de ser a cidade natal de Franz Kafka, o que já faz da cidade um lugar bem especial.

Dia 1

Bom, mas antes de começarmos nosso passeio pela cidade, fomos deixar nossas coisas no hotel. Por incrível que pareça, comparamos preços e a opção mais em conta que achamos foi o Ibis Mala Strana. Eu, que gosto da atmosfera acolhedora e sociável dos hostels, preferiria ter ficado em um, mas o preço me fez ceder. Para quem busca conforto e não faz questão de socializar, vale uma dica: na Europa, sempre dê uma olhada nos preços dos Ibis da cidade a ser visitada; pode ser mais barato do que qualquer hostel!

Malas guardadas, fomos inaugurar nosso olhar de turista pela cidade; a escolha óbvia foi começar pela praça da Cidade Velha (Staromestké Nám). Apesar de Praga ser uma cidade relativamente “compacta”, pegamos o metrô para chegar lá: fomos até a estação Anděl (saindo do hotel, caminhar duas quadras pela Plzeňská e virar a direita), pegamos a linha 58 em direção a Spojovací e paramos na estação Národní třída (5 paradas depois). Caminhamos uns 10 minutos pela rua Na perštýně e, voilà, chegamos à praça. E foi paixão à primeira vista.

chegamos a Praga; na foto, a Praça da Cidade Velha (Staromestké Nám)
Chegamos a Praga; na foto, a Praça da Cidade Velha (Staromestké Nám)

Não lembro de ter visto na vida praça mais bonita. O tempo bom ajudou, é claro. Mas fiquei uns bons minutos admirando todos aqueles prédios góticos (taí uma das razões da minha paixão) e toda aquela gente que caminhava pra cima e pra baixo. Ali na praça mesmo, fomos dar uma olhada no Relógio Astronômico da Antiga Prefeitura, que anuncia a chegada de uma nova hora com a aparição de bonequinhos bem simpáticos. Como era hora quebrada, decidimos voltar mais tarde para ver a atração.

Relógio Astronômico da Antiga Prefeitura, que anuncia a chegada de uma nova hora com a aparição de bonequinhos bem simpáticos
Relógio Astronômico da Antiga Prefeitura, que anuncia a chegada de uma nova hora com a aparição de bonequinhos bem simpáticos

A mistura do cheiro de vinho quente e doces fez a gente lembrar que eram quase 4 horas e não tínhamos almoçado. Com a barriga roncando, fomos procurar um bar considerado típico na cidade, U Zlatého Tygra (O Tigre Dourado). É um bar bem conhecido dos locais e uma experiência divertida que tivemos na cidade: apesar de ter uma atmosfera bem casca-grossa e um atendimento com cortesia nada internacional (os garçons não são de muito papo e apenas o cozinheiro, que vinha pessoalmente retirar os pedidos, falava inglês), você não precisa falar nada para receber um caneco – que mais parece um balde – de cerveja assim que você chega. Para acompanhar, pedimos pães e linguiças típicas. Nada light ou saudável, mas tudo uma delícia!

Pit stop no pub casca-grossa U Zlatého Tygra (O Tigre Dourado), velho conhecido dos locais. Nada de atendimento com cortesia internacional: os garçons não são de muito papo, mas já trazem o caneco - que mais parece um balde - de cerveja assim que você chega. É uma delícia!
Pit stop no U Zlatého Tygra. Uma delícia!

Saímos do Tigre quase 6 horas e voltamos ao relógio para ver os bonequinhos ganharem vida nas badaladas de hora cheia. Fofinho (mas, para ver bem, tem que desviar da cabeça de muitos outros turistas). Dali, resolvemos voltar para o hotel e dar uma descansada para o próximo dia, não sem antes pararmos em uma das muitas tendas de comidas e pedirmos um vinho quente (uma das melhores invenções com a bebida, na minha opinião). Compramos nosso jantar em uma padaria próxima do hotel, obviamente, acompanhado de uma cerveja tcheca.

Dia 2

No nosso segundo dia, levantamos cedo, tomamos café em uma padaria nos arredores do hotel (escolha qualquer uma; panificação e confeitaria são especialidades nos países que visitamos nesta viagem) e fomos para a estação Anděl com destino a Pražký Hrad (Castelo de Praga). O castelo é um ponto de referência na paisagem a oeste do rio Vltava, que corta a cidade praticamente ao meio. A descida é na estação Malostranská e para chegar lá é preciso subir a ladeira.

Pražký Hrad (Castelo de Praga), complexo que até hoje representa o centro político do país, e possui diversas atrações turísticas, como museus, igrejas, ruas históricas etc.
Pražký Hrad (Castelo de Praga), complexo que até hoje representa o centro político do país, e possui diversas atrações turísticas, como museus, igrejas, ruas históricas etc.

Nada que a vista não compense: já na chegada, demos de cara com a lateral da Catedral de São Vito, uma das atrações do complexo do Castelo de Praga. A catedral vale uma visita, ainda mais para quem, como eu, ama arquitetura gótica. A altura das colunas e a beleza dos vitrais são de impressionar qualquer um.

A Catedral de São Vito é uma das atrações do Castelo de Praga
A Catedral de São Vito é uma das atrações do Castelo de Praga

 

A traseira do monstro
A traseira do monstro

Andando um pouco além da catedral, encontramos uma antiga basílica (o primeiro formato de igreja instituído pelos cristãos). Sugiro uma volta despreocupada pelas vielas do castelo para ver a arquitetura. Ah, e não esqueça que a cada hora cheia acontece uma troca de guarda na entrada do castelo. Bem legal!

Ao lado da catedral, uma basílica
Ao lado da catedral, uma basílica

Para fechar o tour, fomos até o lado oposto ao da entrada para conhecer a ruela dourada, que foi lar de muitos mercadores e joalheiros (por isso o nome). A rua também teve como ilustre morador Franz Kafka. Nem preciso dizer que a vista do castelo é de babar, né?

Uma voltinha pelas ruas do complexo do castelo
Uma voltinha pelas ruas do complexo do castelo

 

Essa vista sensacional...
Essa vista sensacional…

Dali, descemos a ladeira e aterrissamos a oeste do castelo, em Malá Strana. Imagina minha alegria! E o bairro não decepcionou: as casinhas dos séculos XVII e XVIII eram exatamente o que eu imagina – pena que delas não saíam os personagens de Neruda (O nome dele serviu de inspiração para o Neruda chileno).

Aliás, o Jan Neruda foi tão importante para o bairro ao contar a sua história que recebeu uma homenagem na região: a rua em que nasceu acabou recebendo posteriormente o nome de Nerudova (de Neruda). Caminhei por lá e fui feliz. <3

A rua do Jan
A rua do Jan

Uma das atrações de Malá Strana que não deve passar em branco é o Wallenstein Palace e seus jardins, que fica logo no final da ladeira do Castelo de Praga. Outro ponto imperdível é a barroca Igreja de São Nicolas. No mais, passeie pelas ruas do bairro e se perca com gosto. Você nem vai sentir as horas passarem!

Wallenstein Palace e seus jardins
Wallenstein Palace e seus jardins

Não esqueça de provar o trdlo, um rolo doce que muitas vezes é recheado de Nutella ou outros cremes, como de baunilha. Eu tive que comer três vezes pra ter certeza de que não era o melhor doce do mundo – e ainda não tenho certeza!

Isso se chama trdlo e eu tive que comer três vezes pra ter certeza de que não era o melhor doce do mundo- e ainda não tenho certeza!
Isso se chama trdlo e eu tive que comer três vezes pra ter certeza de que não era o melhor doce do mundo- e ainda não tenho certeza!

Caminhando mais um pouco, chegamos a outro dos pontos altos de Praga: a Karlův most (Ponte Carlos), que liga Malá Strana ao centro novo (Staré Mesto). Com uma cara super gótica, a ponte tem cerca de 30 estátuas do século XVIII em sua extensão. Dá pra subir as duas torres das extremidades para ter uma vista mais legal da cidade. Mesmo eu, que tenho medo de altura, acho que vale a pena (uma das melhores fotos de viagem que tenho é da torre). Felizões, atravessamos a ponte e depois atravessamos de volta, já que ainda tinha muita coisa pra ver desse lado.

Já no alto da Ponte Carlos, que liga Malá Strana ao Centro Novo (Staré Mesto), ali do outro lado
Já no alto da Ponte Carlos, que liga Malá Strana ao Centro Novo (Staré Mesto), ali do outro lado

 

Linda!
Linda!

Nosso destino era o Museu Franz Kafka, que fala sobre a vida e a obra do escritor. Achei simplesmente fantástico para quem quer conhecer mais do escritor, mas pode ser um pouco chato para quem não se interessa por ele – ou por literatura. Eu me diverti horrores!

 Tava dando uma volta, e olha só quem eu encontro!
Tava dando uma volta, e olha só quem eu encontro!

Ali perto, às margens do rio, fomos direto para a John Lennon Wall, um lugar que se tornou ponto de encontro da juventude de Praga para fins políticos, principalmente depois da morte do músico. E, realmente, há muitos jovens que resolvem passar seu tempo aos arredores do local. Quanto a nós, ficamos ali um pouco, gravamos nossos nomes da parede multicolorida e seguimos em frente para a próxima parada.

All you need is love, love is all you need
All you need is love, love is all you need

Já passava das 5 da tarde quando resolvemos comer. Eu e o Paulo fomos então para o Café Savoy, um restaurante da Belle Époque com um menu simplesmente delicioso – mas não muito barato. Mas, uma vez na vida, sem problemas, né? Fomos de presunto de Praga (um dos pratos mais tradicionais do país) e purê,  e de menu degustação – com pato, presunto e outras delícias tchecas. De sobremesa, uma espécie de torta Sacher (aquela típica da Áustria), só que com cobertura de chocolate branco em vez de negro. Aprovadíssimo!

menu degustação no Café Savoy
menu degustação no Café Savoy

Para terminar o dia de passeio, uma quebra nas atrações dos séculos passados: fomos ver o edifício conhecido como Ginger & Fred (referência aos dançarinos dos EUA Ginger Rogers e Fred Astaire), do arquiteto contemporâneo Frank Ghery. Tem muita gente que odeia, mas não se pode negar que o cara tem culhões nos seus projetos (é o mesmo cara que projetou o Guggenheim de Bilbao, por exemplo). Para finalizar, um barzinho de leve à noite e fomos dormir, porque o outro dia nos esperava.

Paulo, eu, Ginger e Fred, por Ghery
Paulo, eu, Ginger e Fred, por Ghery

Dia 3

Praga sempre foi uma das cidades europeias com maior população de judeus, e essa cultura tem e teve uma influência enorme na vida da cidade (o próprio Kafka, que é um dos maiores artistas tchecos, é de origem judaica). Isso significa que a cidade carrega cicatrizes profundas da Segunda Guerra Mundial.

Por causa dessa enorme influência judaica na cultura de Praga, nosso dia começou com visita ao bairro judaico, o Josefov. Para quem se interessar, há um tour bem legal que passa por diversos pontos relevantes da cultura judaica no bairro – principalmente as sinagogas existentes. A mais antiga a funcionar em Praga – e em toda a Europa – é a Sinagoga Antiga e Nova, de cerca de 1270. O tour nos leva a conhecer muitos fatos, documentos e objetos da cultura e da vida judaicas, principalmente até a Segunda Guerra.

Outro destaque desse passeio é o antigo cemitério, onde há milhares de lápides que se sobrepõem umas às outras, já que os judeus só podiam ser enterrados nesse local.

Antigo Cemitério Judeu, crowdeado - sério, cada lápide corresponde a uma pessoa enterrada
Antigo Cemitério Judeu, crowdeado – sério, cada lápide corresponde a uma pessoa enterrada

 

Tinha um Kafka no meio do caminho
Tinha um Kafka no meio do caminho

Depois desse passeio interessante, mas não muito animador, resolvemos visitar o que talvez tenha sido a única fria de toda a estada em Praga: o Museu do Comunismo. O lugar prometia, já que a República Tcheca tem muito a dizer sobre esses anos, mas infelizmente o museu foi transformado em uma Ode ao Capitalismo e mostra os soviéticos como simples loucos estúpidos que não acertavam uma – e culpados inclusive pelas mudanças climáticas. Não sou partidária do regime comunista, mas um pouquinho menos de propaganda para americano ver (literalmente, porque fizemos a visita ao mesmo tempo que um grupo de adolescentes dos EUA) faria o lugar soar menos tendencioso e mais preciso historicamente falando.

Depois desse fiasco, decidimos investir no combo que sempre nos deixa felizes em viagem, seja qual for o destino: comida + bebida. Nosso almoço tardio no Lokál, restaurante com ares industriais bastante frequentado pelos praguenses. O menu é simples e muda praticamente todos os dias, e o resultado não poderia ser melhor! Pedimos algumas linguiças típicas e pães, e ficamos bem satisfeitos com o que chegou à mesa.

Almocinho leve de despedida de Praga
Almocinho leve de despedida de Praga

Se “em Roma, como os romanos”, em Praga, como os praguenses; não poderíamos deixar a República Tcheca sem “enchermos a cara” em algum lugar. E o lugar escolhido não poderia ser melhor: o Prague Beer Museum, que, apesar do nome, não é museu: é um bar que oferece o maravilhoso menu degustação: 10 cervejas para degustação, com 100 ml cada. Uma delícia obrigatória para quem visita a cidade.

50 tons de cerveja
50 tons de cerveja

Por fim, antes de nossa partida para Viena, um pouco de arte: fomos ao Veletržní palác, que tem em sua coleção obras de Van Gogh, Picasso, Schiele, Klimt e outros nomes de peso. Apesar de ter pouco tempo para apreciar as obras, fiz questão de ir pra matar as saudades de arte.

Lá pelas 6 da tarde saímos do museu em direção à Praha hlavní nádraží, nossa última parada antes de Viena. Mas, para nos despedirmos, um pulinho na Václavské náměstí, um dos pontos centrais da cidade.

Finaleira pra deixar saudades
Finaleira pra deixar saudades

É difícil explicar o que faz uma cidade se tornar inesquecível aos olhos de uma pessoa. Só sei que Praga me conquistou de forma definitiva por toda as suas atrações. E, se eu puder dar um conselho, desejo que vocês deixem essa cidade conquistar vocês também.

Até a Áustria!







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